terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Medidor de bondade

“Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará.” (Lucas 9:23-24)


A Salvação Pela Graça

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8-9)

Segundo a Palavra de Deus nós somos salvos pela graça, não pelas obras, e que, portanto, a salvação é obra de Deus. A doutrina da salvação pela graça é uma das verdades fundamentais da fé cristã da qual o conhecimento verdadeiro e o correto entendimento são de grande importância para a Igreja de Cristo no mundo e para o cristão de maneira individual. Por isso, não admira, que ao longo da história da igreja do Novo Testamento até hoje este tema ocupe um lugar central. Foi e é o tema de milhares de sermões. Muitos volumes foram escritos para expor e defender esta verdade. É o tema de milhares de hinos. Muitas vezes foi motivo de afiada controvérsia. Hoje em dia se pode ouvir da salvação pela graça em sermões e músicas, do púlpito e ao ar livre, literalmente todos os dias.


Apesar de tudo isso, dizer que nós somos salvos pela graça expressa a verdade de que a salvação pertence ao Senhor. Sermos salvo pela graça significa que a graça é a única fonte, a única explicação, a razão última e o fundamento da nossa salvação, a causa eficiente de tudo o que está implícito na obra de nossa redenção e libertação do pecado e da morte. Somos salvos pela graça somente, sem o trabalho ou a cooperação do homem, ou nós não somos salvos pela graça em absoluto. Assim, aquele que fala da salvação pela graça, deve compreender que está falando de uma obra completamente divina. Mas todas as obras de Deus são eternas. Assim, a salvação pela graça tem sua origem na eternidade, e não se pode tratar adequadamente o tema da graça sem considerar a verdade fundamental da eleição divina e soberana: somos escolhidos pela graça. No entanto, podemos fazer bem, em primeiro lugar, ao considerarmos a questão mais geral: "o que é a salvação?" Esta questão não é de forma alguma supérflua. Pois, por um lado, a nossa resposta a esta questão deve necessariamente depender de nossa concepção da parte que a graça tem em nossa salvação e, por outro lado, especialmente nos tempos modernos, a verdade sobre a salvação é distorcida e corrompida em mais de uma maneira.



A salvação não é o mesmo que reforma ou melhoria do homem e do mundo; nada tem em comum com a noção moderna de construção do caráter. Essa concepção modernista reconhece, de fato, que o homem não é o que ele deveria ser. Há algo de errado com ele e com o mundo que ele está construindo. Especialmente em nossos dias, agora que toda a estrutura imponente da cultura e civilização humana corre o risco de colapso, isto é profundamente sentido. No entanto, mantém-se que o homem não é inerentemente corrupto. Ele é fundamentalmente bom. Mas ele precisa de reforma. Temos de nos aplicar à reforma do homem, à construção de seu caráter, assim como à melhoria do seu ambiente. E nesse esforço nobre temos de ter Jesus como nosso exemplo e transformar os Seus ensinamentos, especialmente ao Sermão da Montanha, em nosso programa de reforma. Se o homem apenas aprender a seguir os Seus passos, e aplicar os Seus ensinamentos em toda a sua vida e relacionamentos, ele será salvo. Ele, então, aprenderá a reconhecer que, como Jesus, ele também é filho de Deus; que Deus é o Pai amoroso de todos, e todos os homens são irmãos. E assim ele vai se tornar uma boa e pacifica criatura, capaz de fazer do presente mundo um reino de Deus no qual habitará a justiça. É desnecessário dizer que, em tal ponto de vista da salvação, não há espaço para a graça. A salvação é obra do homem orgulhoso, não de Deus. E é completamente supérfluo provar que esta filosofia humana nada tem em comum com o evangelho bíblico da salvação.

No entanto, não é apenas nos círculos modernistas que alguém encontra uma apresentação pervertida da verdade da salvação. Pelo contrário, aqueles que pregam ostensivamente o evangelho de Cristo, mas ao mesmo tempo apresentam a questão da salvação como algo cuja realização em última análise depende da vontade do homem, também distorcem a doutrina da graça soberana. Salvação, de acordo com esta visão, é como um presente que está tudo preparado e que é oferecido livre e gratuitamente, mas que alguém poderá recusar ou aceitar. Ou ela é como um amável convite para alguma festa ou banquete, ao qual qualquer um pode educadamente aceitar ou recusar. Assim ao pecador é oferecida a salvação, que consiste principalmente em escapar do inferno e entrar no céu depois desta vida, na condição de que ele aceite a Cristo. Esta salvação é toda preparada para o pecador. Em si mesmo, ele está condenado, digno de morte eterna. Mas, Cristo morreu por todos os pecadores, e obteve o mérito do perdão dos pecados, justificação e glória eterna para todos.
Até agora é tudo de graça.


E que o evangelho é pregado aos pecadores e essa redenção gloriosa lhes é oferecida livremente, isso, também, é de graça.

Mas é neste ponto que a salvação como uma obra da graça e poder divino termina. Pois para além da redenção obtida pelos méritos de Cristo e da salvação oferecida, a graça não é soberana e eficaz: é impotente para salvar e realmente libertar do domínio do pecado e da morte, exceto por consentimento do pecador. Se o pecador apenas aceitar a salvação que lhe é oferecida, se ele disser: "Eu aceito Cristo como meu Salvador pessoal", tudo estará bem com ele, e a graça pode avançar; mas se ele for recalcitrante, e teimosamente se recusar o sério convite para ser salvo, a graça nada pode fazer com ele. Muitos pregadores não hesitam aberta e corajosamente em declarar que Deus é impotente para salvar o pecador a menos que este dê o seu consentimento, e que Cristo não pode fazer mais do que Ele fez a menos que o pecador lhe permita prosseguir com a Sua obra de salvação. Jesus está disposto a salvar, mas Sua vontade deve sofrer um naufrágio na rocha da contrária e refratária vontade do homem. Ele está à porta do coração do pecador e bate, mas a chave da porta está no interior, e o Salvador não pode entrar, a menos que o pecador abra a porta.

A salvação pela graça significa que é uma obra exclusivamente divina, absolutamente livre e soberana, na qual o homem não tem parte alguma e que em nenhum sentido a escolha dependerá da vontade do homem. Assim como a obra da criação foi apenas de Deus, que Ele realizou sem a cooperação da criatura, assim a obra da salvação é exclusivamente obra de Deus, na qual o homem não tem nenhuma parte. Assim como Adão viveu e foi uma criatura ativa, e não ao ou antes de ser criado, mas por virtude desta obra maravilhosa de Deus, assim o pecador vive, e torna-se positivamente ativo, de modo que ele quer ser salvo e abraçar a Cristo, não em cooperação com Deus, que quer salvá-lo, mas como resultado das maravilhas da graça feita sobre ele. A salvação pela graça significa que a graça está sempre em primeiro lugar. Verdade, "quem quiser pode vir", mas a vontade de vir não é proveniente da graça, mas subseqüente a ela, como seu fruto.


Somos salvos pela graça! Libertos da ira, culpa, condenação, corrupção e morte – tudo pela graça! Vestidos com justiça, santidade, vida e glória – somente pela graça! Traduzidos à luz, da morte para a vida, da vergonha à glória, do inferno ao céu – tudo pelo poder da graça maravilhosa de Deus! E tudo por causa do amor eterno, soberano, daquele que escolheu as coisas que não são para reduzir a nada as coisas que são, para que nenhuma carne se glorie em Sua presença!

Adaptado de Wonder of Grace, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, chapter 1, pp. 9-15.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8-9)

2 comentários:

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    1. Saulo Silva de Araújo24 de fevereiro de 2012 11:42

      Muito massa o blog, continuem assim trabalhando assim... pra glória de Deus!!
      Que nós possamos ir sempre em frente com nosso alvo, sempre em cristo!
      Deus os abençoe nesse ministério!
      Abraços!

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